O Ceará registrou saldo positivo de 23 mil empregos formais em 2018. No período, ocorreram 372,6 mil contratações e houve 351,65 mil demissões. Mas, se for considerado apenas o mês de dezembro, o mercado de trabalho perdeu 5.481 vagas, quando apresentou 23.514 admissões e 28.995 desligamentos. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, mostram que o mercado dá sinais de recuperação após três anos de queda. Mas ainda há desafios.

 

O indicador de 2018 significa alívio ante anos anteriores. Em 2015, início da maior crise da história pós-industrial brasileira, foram eliminados 33,4 mil empregos no Estado. O cenário persistiu em 2016, quando contabilizaram-se menos 38,6 mil vagas. Houve amainada em 2017, mas ainda com redução de 2 mil postos. Para Alexsandre Cavalcante, analista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), os números projetam otimismo após os déficits registrados nos últimos três anos.

 

“O emprego é o principal termômetro que captura a dinâmica econômica. E 2017 foi um ano de inflexão. Já 2018 se configurou como recuperação, mesmo sendo ano eleitoral. Esse é um marco e a expectativa é que continue crescendo para acompanhar o cenário nacional. “, avalia.

 

Em relação ao País, o Estado ficou em 8º lugar na geração de trabalhos. São Paulo foi o que mais gerou (146,6 mil), seguido por Minas Gerais (81,9 mil) e Santa Catarina (41,7 mil).

 

Desempregada desde 2016, a agente de proteção da aviação civil, Isis Sousa, 28, faz parte do indicador positivo. “O mercado estava muito fechado.

 

Entregava currículo e não era chamada nem para entrevistas. Somente em 2018, quando houve a concessão do Aeroporto de Fortaleza, que consegui uma vaga. Comecei em outubro do ano passado”.

 

Erle Mesquita, analista de Mercado de Trabalho do Sine/IDT, pondera que o resultado é significativo, mas está aquém da necessidade. “Pelo menos dois trabalhadores ainda estão na fila. Temos 477 mil pessoas nesta situação e um quadro que desistiu de procurar”, diz.

 

Responsável por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, o setor de serviços puxou a alta e reinseriu 16,2 mil pessoas no mercado de trabalho cearense. Seguido pela indústria (3.872), comércio (2.489) e construção civil (416). O segmento industrial, porém, demitiu (5.790) bem mais do que contratou (2.738) em dezembro passado.

 

Ocorre que há uma tendência de contratações antes do fim de ano para aumentar a produção e gerar estoque para o período de aquecimento no comércio. No entanto, inicia-se um ciclo de desligamento após a demanda.

 

Os dados também expõem que a economia muito concentrada na Grande Fortaleza, que contabilizou 7.911 recolocações. “O número de empresas é maior nos grandes centros e gera mais atividade econômica”, explica Alexsandre. A Capital detém 44% do PIB estadual, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Ceará, de 2016.

 

No entanto, Quixeramobim teve destaque como o segundo município com mais novos empregos em 2018, totalizando 4,9 mil. Seguido de Maracanaú (1.063)e Eusébio (1.146).

 

informal

 

2018 terminou com a criação líquida de 5.887 empregos com contrato intermitente e o fechamento de 2.266 vagas pelo sistema de jornada parcial. As modalidades foram criadas pela Reforma Trabalhista.

 

salário

 

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada teve alta real de apenas 0,21% em dezembro de 2018 ante o mesmo mês de 2017, para R$ 1.531,28.

 

Mercado

 

Houve 14.153 desligamentos por acordo no mês de dezembro de 2018, conforme dados do Caged divulgados ontem.

Fonte: O Povo Online.

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